sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

A VER NAVIOS?

Não exatamente. Mais de volta ao velho vício televisivo, em que se "papa" quase tudo o que passa no pequeno ecrã. Vício que vem desde criança, só interrompido no tempo do PREC - havia lá pachorra para tanta mesa redonda de gente exaltada, para ficar tudo na mesma? - retomado com "Gabriela" e, felizmente, nos últimos anos só resumido ao quase essencial. Um filme de vez em quando, uma série melhorzinha, alguns programas de informação (não, não são os telejornais), os Oscars de Hollywood e uma coisa ou outra visionada num momento de tédio.  

Enfim, a recaída explica-se pelo tempo que não convida a passeios, o consequente menor número de fotografias tiradas, a escuridão que se abate na casa logo de manhã como se estivesse a chegar o anoitecer e a monotononia acumulada de tantos meses de imobilização - não exatamente forçada, que já ando relativamente bem, mas a chuva e o frio lá fora estão bons para apanhar gripes e constipações, que nunca convêm nada a ninguém, mas quando as imunidades estão em baixo ainda menos... E pronto, andar de trás para a frente no corredor, só porque sim, deve ser bom para tigres enjaulados, mas dá cabo da minha sanidade mental!

Pior é que a televisão também me irrita: as telenovelas, as séries e outros programas são anunciados com a devida antecipação, pompa e circunstância, mas a maior parte das vezes não há nem um avisozinho do seu final (novelas da SIC à parte, que ficam o último mês a ser exibidas com uma legenda de "últimos capítulos", o que também é um exagero). Assim, está uma pessoa toda feita para ver um novo episódio de "Mr. Selfridge" ou de "A Teoria do Big Bang" - ambas do bom e do melhor que se faz em TV, no meu entender - e... népias, lá vem outro programa qualquer. Não se faz!

Contudo, o esforço de abandonar o velho vício tem sido uma constante, aos poucos conto chegar lá - tenho lido mais, ouvido música e até já faço uns sudokus ou palavras cruzadas. Mas a escrita, essa, tem sido bastante desleixada, tanto aqui como em comentários aos vossos posts. Para não dizer praticamente inexistente. Como consolo só a experiência de uma amiga, que após 3 meses de repouso em casa determinado pelo médico, alontrada frente ao ecrã como eu, viu o vício evaporar-se assim que teve alta. Estou a torcer para que me aconteça o mesmo. E para que o tempo melhore um bocadinho...

BOM FIM DE SEMANA!

terça-feira, 4 de Novembro de 2014

MÃE

Pearl S. Buck não precisa de apresentações: não só recebeu o Nobel da Literatura em 1938, como a sua vasta obra foca primordialmente a cultura chinesa, onde viveu grande parte da infância e início da idade adulta, até a revolução chinesa a ter obrigado a abandonar aquelas paragens. Mas não é a cultura chinesa de salão, mas mais de um povo camponês a lutar pela sobrevivência ou de classe média, ainda a enfrentar costumes feudais - para já não falar nos senhores da guerra.

Neste pequeno (grande) livro de apenas 191 páginas damos conta da luta de uma mãe que, com três filhos pequenos se vê abandonada pelo marido, homem dado à jogatina e pouco amigo de trabalhar. E do sofrimento que esconde de todos, dizendo que ele foi trabalhar para longe, chegando a mandar escrever cartas para ela própria para disfarçar o embuste. Com a ajuda do filho mais velho consegue trabalhar nos campos e pôr comida na mesa para toda a família e ainda amealhar algumas moedas. Infelizmente a sogra está velha e é de pouca serventia e a filha tem um mal nos olhos que vai agravando até fica cega, pelo que o futuro não augura nada de bom à menina. O filho mais novo, o seu predileto, tem um feitio bem disposto e risonho, mas infelizmente sai ao pai e é pouco amigo de trabalhar.

É a luta diária desta mulher que vamos seguindo com aquela interrogação de "será possível que algum dia tenha sido assim?" Para chegarmos à triste conclusão que foi e em alguns casos muito pior para as mulheres pobres do povo chinês do início do século passado. E que, provavelmente, por esse mundo fora ainda hoje existem mulheres que trabalham como escravas injustiçadas todos os dias.

Last but not least, na adolescência li uma série de livros de Pearl S. Buck, que a mãe de uma amiga me fez o favor de emprestar. Tantos anos volvidos não me lembro dos títulos da maioria deles, nem sei se li este na altura. Mas se gostei de a ler aos 15 e de a reler aos 55, parece-me muito bom sinal para a escritora: é que a sua escrita se mantém atual e interessante para leitores de várias faixas etárias, apesar do livro ter sido escrito em 1933, portanto há mais de 80 anos.... Quantos escritores se podem gabar disso?

Citações:

"Depois encheu-se de inquietação e pessimismo e pensava que, se a criança era uma alegria, também era uma nova fonte de preocupações, como são todas as crianças, e que podia nascer morta ou deformada, idiota ou cega, ou uma rapariga, ou qualquer coisa parecida."

"Mas havia muita gente à espera, porque tinha corrido pelos campos a notícia de que ia haver esta grande decapitação, e muitos vinham ver o espetáculo e traziam os filhos.[...] A multidão estava silenciosa, as pessoas esperando avidamente, sentindo um estranho prazer e, ao mesmo tempo, detestando o horror que ansiavam ver."

domingo, 26 de Outubro de 2014

UM CHEIRINHO A MARESIA...

... e uns raiozinhos de Sol fazem maravilhas pela boa disposição de qualquer um! Alguém se atreve a desdizer-me?!?


APROVEITEM!
(se for o caso)

terça-feira, 14 de Outubro de 2014

GRAFFITIS URBANOS - 1

A falta de concentração, a preguiça, as temáticas pouco interessantes que se encontram dentro de 4 paredes - só saio de casa para ir ao hospital, mas a invernia também não teria convidado a grandes passeios - têm tornado as minhas postagens muito esporádicas. Daí ter-me lembrado de mostrar algumas fotos tiradas este verão, que evidenciam como o graffiti urbano pode ser uma mais valia artística para as cidades, em geral, e Lisboa, em particular. Para quê fachadas de casas em ruínas, muros velhos e pardacentos, superfícies que não têm uma qualificação possível, com tantos e bons artistas dispostos a trabalhar para ajudarem a embelezar esses espaços?

Enfim, a coleção ainda é pequena, mas espero que quando a acabar de a publicar já possa dar umas voltinhas para tirar mais umas quantas fotografias.

E já agora, alguém sabe onde fica o graffiti da foto? Ah, parece que também já existe um catálogo dos principais graffitis existentes na cidade, mas esse ainda não o vi...

quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

PRIMEIRO AS SENHORAS

Tenho lido muito pouco, quase nada, para ser sincera. Mas estas 110 páginas de Mário Zambujal leem-se muito bem. Trata-se de um monólogo ou, melhor dizendo, de um depoimento minucioso de Edgar ao inspector da polícia judiciária sobre o alegado rapto de que terá sido vítima. Edgar, um bom malandro tuga com ademanes de um D. Juan a dar para o pindérico tem, em contrapartida, uma enorme verborreia e entre mentiras, verdades e meias verdades vamos percebendo o que realmente se passou...

OK, sou suspeita ao recomendar este livro: além de admiradora do autor, também sou adepta de histórias divertidas e bem dispostas. E pelo preço... pode-se pedir mais?!?

segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

DESENCAFUADA!

É assim que me sinto após ter tido alta hospitalar sexta-feira passada. Não é que as equipas médicas, de enfermagem e restante pessoal não faça o possível para minimizar os efeitos da reclusão, mas facto é que nada é como a nossa casa, mesmo sem referir a comida hospitalar. Que, dizem-me, tem melhorado muito nos últimos anos...

Bom, por enquanto ainda estou muito limitada e com visitas assíduas ao hospital - e espero que só isso (nóc, nóc, nóc, para não dar azar) - mas é completamente diferente. Aos poucos espero também retomar o convívio blogosférico, que tem sido um bocado intermitente: até a posição para estar sentada ao computador era complicada.

Agradeço a todos os que sempre aqui me enviaram mensagens de força, coragem e votos de melhoras e aproveitem bem para ter um excelente último dia de verão! Carpe Diem!

segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

CHEEK TO CHEEK...

"Cada dia que passa te amo mais: hoje mais que ontem e bem menos que amanhã", escreveu a poetisa Rosemonde Gérard no século XIX, num poema dedicado a seu marido Edmond Rostang, também ele escritor e poeta.

Ao completar 24 anos de casamento, não podia concordar mais com ela...

Este ano não haverá comemorações, por motivos óbvios, mas para o ano os festejos serão redobrados,.. se tudo decorrer nos conformes!

Como música, pois, não poderia faltar um dos duetos mais famosos de Louis e Ella, que adoro especialmente; "Cheek to Cheek":


sábado, 13 de Setembro de 2014

OS FILHOS DO ÉDEN

Sono, muito sono! Suponho que nunca tinha tido tanto sono na vida, pelo que nem blogues, nem leituras, um esforço titânico para não adormecer durante a hora das visitas ou do episódio da telenovela. Nem sempre conseguido, diga-se! Mas pronto, nos últimos dias a soneira reduziu bastante, já me começaram a falar "de alta" - o que dá logo outro ânimo - e acabei de ler finalmente o livro que trouxe na bagagem, cuja leitura já tinha iniciado antes do internamento: "Os Filhos do Éden", de Ken Follett.

Como muitos saberão sou fã do escritor, mas desta fez o livro foi muito mal escolhido. A começar porque tenho verdadeiro horror a terramotos e Priest e alguns membros da sua comuna hippie andam a tentar provocá-los, de modo a "chantagear" o governador da Califórnia - que pretende construir uma barragem num local que irá alagar as vinhas, que são o modo de subsistência da dita comuna. Cabe na cabeça de alguém provocar terramotos, cujas consequências são imprevisíveis? Pelos vistos Follett pensa que há gente tão radical a esse ponto e, embora a certa altura refira que nem todas as comunas/seitas religiosas são avessas à sociedade, a ideia que normalmente não são flor que se cheire paira ao longo das 438 páginas. Claro que o enredo também se move em torno da agente do FBI Juddy Maddox, que é das primeiras a acreditar nas ameaças loucas de Priest, e na enorme e incansável perseguição aos suspeitos. Incansável, ela, que por mim já estava bem cansadinha de tanta perseguição...

Dito isto, não deito as "culpas" ao livro: parece-me é que há livros que não devemos ler em certas circunstâncias - poderia ter arranjado qualquer coisinha mais animada, por exemplo!

BOM FIM DE SEMANA! 

sábado, 6 de Setembro de 2014

FLORES E CANTOS

Tirei esta fotografia no dia 31 de maio deste ano para publicar aqui no blogue, já que a Ematejoca fazia anos nesse mesmo dia. Mas acabei por não publicar: estava um bocado zonza dos 4 dentes que arrancara na véspera e calculei que ela pudesse não gostar destas flores de pano. No entanto, faziam todo o sentido à porta de uma boutique hippie e davam uma alegria à rua que só visto...

A voz que Chico Buarque empresta a "Olhos nos Olhos" também é bem catita (palavra que parece ter caído em desuso, exceto entre tias da Lapa):


Entre flores, cantos e cantinhos, aqui ficam os meus votos de um MARAVILHOSO FIM DE SEMANA para todos!