segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

CHEEK TO CHEEK...

"Cada dia que passa te amo mais: hoje mais que ontem e bem menos que amanhã", escreveu a poetisa Rosemonde Gérard no século XIX, num poema dedicado a seu marido Edmond Rostang, também ele escritor e poeta.

Ao completar 24 anos de casamento, não podia concordar mais com ela...

Este ano não haverá comemorações, por motivos óbvios, mas para o ano os festejos serão redobrados,.. se tudo decorrer nos conformes!

Como música, pois, não poderia faltar um dos duetos mais famosos de Louis e Ella, que adoro especialmente; "Cheek to Cheek":


sábado, 13 de Setembro de 2014

OS FILHOS DO ÉDEN

Sono, muito sono! Suponho que nunca tinha tido tanto sono na vida, pelo que nem blogues, nem leituras, um esforço titânico para não adormecer durante a hora das visitas ou do episódio da telenovela. Nem sempre conseguido, diga-se! Mas pronto, nos últimos dias a soneira reduziu bastante, já me começaram a falar "de alta" - o que dá logo outro ânimo - e acabei de ler finalmente o livro que trouxe na bagagem, cuja leitura já tinha iniciado antes do internamento: "Os Filhos do Éden", de Ken Follett.

Como muitos saberão sou fã do escritor, mas desta fez o livro foi muito mal escolhido. A começar porque tenho verdadeiro horror a terramotos e Priest e alguns membros da sua comuna hippie andam a tentar provocá-los, de modo a "chantagear" o governador da Califórnia - que pretende construir uma barragem num local que irá alagar as vinhas, que são o modo de subsistência da dita comuna. Cabe na cabeça de alguém provocar terramotos, cujas consequências são imprevisíveis? Pelos vistos Follett pensa que há gente tão radical a esse ponto e, embora a certa altura refira que nem todas as comunas/seitas religiosas são avessas à sociedade, a ideia que normalmente não são flor que se cheire paira ao longo das 438 páginas. Claro que o enredo também se move em torno da agente do FBI Juddy Maddox, que é das primeiras a acreditar nas ameaças loucas de Priest, e na enorme e incansável perseguição aos suspeitos. Incansável, ela, que por mim já estava bem cansadinha de tanta perseguição...

Dito isto, não deito as "culpas" ao livro: parece-me é que há livros que não devemos ler em certas circunstâncias - poderia ter arranjado qualquer coisinha mais animada, por exemplo!

BOM FIM DE SEMANA! 

sábado, 6 de Setembro de 2014

FLORES E CANTOS

Tirei esta fotografia no dia 31 de maio deste ano para publicar aqui no blogue, já que a Ematejoca fazia anos nesse mesmo dia. Mas acabei por não publicar: estava um bocado zonza dos 4 dentes que arrancara na véspera e calculei que ela pudesse não gostar destas flores de pano. No entanto, faziam todo o sentido à porta de uma boutique hippie e davam uma alegria à rua que só visto...

A voz que Chico Buarque empresta a "Olhos nos Olhos" também é bem catita (palavra que parece ter caído em desuso, exceto entre tias da Lapa):


Entre flores, cantos e cantinhos, aqui ficam os meus votos de um MARAVILHOSO FIM DE SEMANA para todos!

segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

O MEU DIA FAVORITO!

OK, o meu dia favorito não é uma segunda-feira de Setembro. A bem dizer, nem posso afirmar que tenha dias favoritos. Simplesmente, gostei da "filosofia" de Winnie the Pooh, patente no desenho acima...

Enfim, estou com falta de temas para postagens e sem grande cabeça para engendrar escritos ou desafios complicados - nem simples, mas pronto! - de modo que hoje só sai o desenho. Aproveitando para esclarecer que estou a recuperar "normalmente", embora não tão depressa quanto desejava. É sempre assim, estamos sempre desejosos de nos pôr "finos"!

Já agora, alguém tem dia(s) favorito(s)? Pensando bem, eu cá gosto do dia do meu aniversário, do Natal, da noite de Santo António, se calhar até era capaz de dar uma listinha... 

Imagem do facebook.

domingo, 24 de Agosto de 2014

UM CANTEIRO MUITO ESPECIAL

Juro que quando fotografei só pensei na beleza daquele canteiro. Mas depois informei-me melhor e descobri o que era. Alguém sabe?

ADENDA a 27/08/2014: Como já vai sendo hábito nestes pequenos desafios, há sempre alguém que dá uma pista que funciona e (quase) todos percebem do que se trata: o local onde repousam as cinzas de José Saramago, debaixo de uma oliveira da sua terra natal (Azinhaga) e frente à Casa dos Bicos, em Lisboa, onde se localiza a fundação que leva o seu nome. A colagem seguinte não é muito elucidativa do local, mas ainda dá para ver alguns ramos de oliveira frente à casa - bem sei que podia arranjar um ângulo melhor, mas no dia estava um casal com cara de poucos amigos abancado no local, preferi "passar"...

Bom, o Pedro Coimbra foi o primeiro a reconhecer o local, depois já foi fácil para os restantes comentadores chegar lá. O Rui Espírito Santo refere o dia 18 - porque Saramago morreu a 18 de junho de 2010, mas as cinzas do escritor só foram depositadas no local exatamente um ano depois - e a Afrodite fez referência à Casa dos Bicos. Enfim, tal como digo, também não sabia da história daquele canteiro, foi preciso passar por lá... Obrigada a todos pela participação!   

Boa semana para todos!

terça-feira, 19 de Agosto de 2014

RECLUSÃO

Em criança, quando me perguntavam o que ia ser quando fosse grande respondia: "vou casar com um polícia, para nunca ser presa". Ingenuidade infantil, porque se soubesse o que sei hoje diria que ia ser banqueira. Mas pronto, a ideia da cadeia - estar num sítio sem se poder sair quando bem se entende - e até uma certa claustrofobia em ambientes fechados, com muita gente, sempre estiveram presentes na minha maneira de ser. E, claro, a perceção de que se não cometesse actos ilegais ou criminosos a probabilidade de ser condenada a uma pena de prisão era reduzida e cedo se instalou o meu espírito.

Como a vida dá muitas voltas, hoje e (previsivelmente) durante cerca de um mês vou permanecer num quarto de hospital, para fazer um auto-transplante de medula. E já não é tão mau quanto pensava inicialmente, porque o facto de ser dadora de mim própria faz com que possa receber visitas (devidamente equipadas com máscaras e batas próprias), quando não os visitantes só veem os pacientes através da janela do quarto. Enfim, o isolamento não é total, mas não deixa de ser uma reclusão "forçada", que é como quem diz, por força das circunstâncias. 

Vim com a "casa às costas", munida de livros, portátil, revistas de passatempos e, para o efeito, até comprei um pequeno iPod, para ouvir música. No quarto existe também uma televisão (com uma série de canais) e uma bicicleta pedaleira - haja vontade de pedalar, cóf, cóf, cóf (maldita tosse!). 

Tudo isto para dizer que as minhas postagens nas próximas semanas poderão ser um pouco irregulares: alguns destes tratamentos deitam-nos muito abaixo, outros nunca fiz, não sei como serão. No entanto, sempre que me sentir com (mais) genica, venho aqui postar qualquer coisinha e/ou dar uma volta pelos vossos cantinhos - tempo é coisa que não me há de faltar, se tudo correr bem.

Para todos segue aquele abraço, desta vez na voz de Miguel Gameiro:


Ah, last but not least, já resolvi aquele meu problema de não conseguir ouvir música nos blogues. Nem vou dizer o que era, para não me chamarem de barata tonta...

domingo, 17 de Agosto de 2014

UM ELÉTRICO CHAMADO... 28

O passeio turístico estava planeado há anos, mas com aquela história do é amanhã, depois ou qualquer dia, estava mesmo a ver-se que tinha encalhado na terra do nunca - porque está frio, calor, chuva ou vento, porque imperam outros compromissos ou há bola ou não apetece, enfim, um adiamento constante. Até ontem, em que o único contratempo era uma Lisboa deserta de lisboetas, mas cheiinha de turistas. Vem algum mal ao mundo se também fizermos turismo na própria cidade?

Como ponto de partida, o terminal junto ao cemitério dos Prazeres - para garantir um lugar sentado à janela, que permitisse tirar algumas fotos. Escusado será dizer que o horário está lá fixado na paragem, mas só serve "para inglês ver": os cerca de 15 minutos de intervalo previsto entre partidas prolongou-se para os 25. A bicha dos utentes engrossou, mas facto é que ninguém protestou. E a viagem começou...

A primeira paragem foi próxima da igreja de santo Contestável, em Campo de Ourique. Porém, virar a máquina fotográfica em direção ao Sol nunca foi grande ideia, eventualmente ao alvorecer ou entardecer podem conseguir-se boas imagens.

Um dos portões do jardim da Estrela. Escusado será dizer que a Basílica, mesmo em frente, não era "alvo" a que pudéssemos apontar, já que o elétrico ia repleto de gente - turistas e não só.

A Assembleia da República. Com o poste de um semáforo pela frente, mas à vertiginosa velocidade de 40 ou 50 km/hora alcançada pelo veículo, não se pode programar atempadamente estes "imprevistos". Ou a câmara tem de possuir outras capacidades/qualidades.

A estátua de Camões mal se via devido às árvores, mas a igreja de Nossa Senhora do Loreto não sofria do mesmo problema.

No Chiado cruzámo-nos com outro elétrico no sentido contrário. Nem dá para verificar a multidão que por ali pairava...

Depois da descida à baixa, o elétrico recomeça a subida de uma nova encosta, cuja primeira paragem se situa frente à Sé de Lisboa.

O miradouro de santa Luzia não dá para espreitar, mas já estamos próximos da Cerca Moura e rumo à Graça. 

Se pelo caminho já tínhamos passado por ruas estreitas e de sentido único, de onde saem vielas e escadarias, onde quase podemos tocar nas paredes das casas, com roupa estendida nos varais, gente a espreitar a rua da janela ou varandas de ferro forjado, mais ou menos ornamentadas de flores e plantas, na Graça não é muito diferente. Numa e noutra colina também existem prédios degradados e/ou em ruínas, aparentemente ignorados pela população e pelas entidades competentes para resolver esses problemas - que não são recentes, dado o estado escaqueirado dos edifícios.

Na descida para a avenida Almirante Reis o elétrico ganhou velocidade, pela avenida fora ainda mais. Nem consegui "apanhar" o antigo cinema Lys, posteriormente denominado Roxy, ainda menos  uma foto decente da fábrica de cerâmica viúva Lamego - seria o motorista a tentar recuperar o atraso inicial? Com (muita) sorte, ainda captei o castelo de São Jorge, entre as árvores do Martim Moniz.

Após os passageiros saírem do elétrico ainda lhe tirei uma fotografia para a posteridade (a primeira deste post). No palco do Martim Moniz atuavam um jazzista e um DJ, de modo que foi aproveitar a onda musical para sentar na esplanada e beber uma imperial. Naquele que deve ter sido o primeiro dia do ano com sabor a verão de agosto. O regresso ao ponto de partida é que já não foi efetuado de 28, dada a fila enorme que se gerou, com pelo menos uma excursão à mistura. Sobre o (relativamente novo) Martim Moniz escreverei noutra altura... se estiver prái virada.

Já anoitecera, quando decidimos jantar por outras paragens: um preguinho com batatas fritas, no sítio do costume. Ou melhor dizendo, na respetiva esplanada, já que a noite continuava amena...

FELIZ DOMINGO!
(com ou sem férias...)

sexta-feira, 15 de Agosto de 2014

A CASA DOS ESPÍRITOS

Nunca tinha lido um livro de ficção de Isabel Allende (os que li são uma espécie de diários, dedicados a sua filha Paula, que morreu prematuramente com uma doença rara), e muito menos visto o filme "A Casa dos Espíritos". Esta espécie de "dois em um" de livro e filme surgiu agora, acicatados pela sugestão da Tons de Azul, que recomendou vivamente o livro. O filme, confesso, vi no YouTube, infelizmente numa versão dobrada em brasileiro. Mas foi o que consegui arranjar, já que depois de ler tinha curiosidade de ver.

Como a Tons de Azul bem explica, trata-se da história da família Trueba, liderada pelo determinado, apaixonado, despótico e retrógrado Esteban (Jeremy Irons), órfão de pai, que desde cedo teve a mãe e a irmã Férula (Glenn Close) a seu cargo. O seu noivado com Rosa termina inesperadamente com a morte repentina desta e ele resolve abandonar a mina onde trabalha para se dedicar inteiramente a reerguer o rancho que o pai deixou na falência. O que consegue. E é aí que decide casar com Clara (Meryll Streep), a irmã mais nova da sua antiga noiva, uma rapariga estranha, que tem premonições sobre o presente e o futuro e parece viver sempre num mundo fantasioso muito próprio. Nos primeiros anos, o casamento decorre normalmente, já que Férula vai viver com o casal e é uma grande aliada da cunhada, tentando poupar-lhe todos os esforços e o governo da casa, para o qual ela não tem aptidão. Mas a devoção que lhe dedica provoca os ciúmes do irmão, que a expulsa de casa.

Entretanto, o casal teve três filhos: Blanca (Winona Rider) e os gémeos Jaime e Nicolau. No entanto, à medida que eles crescem, vão desapontando o pai, tanto por demonstrarem um espirito mais moderno e menos conservador, como pela paixão assolapada (e correspondida) que Blanca nutre por Pedro Tercero (Antonio Banderas) - o filho do seu capataz e, simultaneamente,  o maior revolucionário da região - desde a tenra infância.

Sem revelar o final, para quem queira ler estas 337 páginas escritas em 1982, posso avançar que nem o ultra-conservador Esteban Trueba esperava tanta violência "gratuita" na ditadura de Pinochet. Como também não é difícil imaginar...

E o que dizer sobre o filme, de 1993? Apesar do excelente naipe de atores, a produção reduziu personagens, simplificou o enredo, abreviou (e quase descontextualizou) as partes históricas. Daí que se só tivesse visto o filme, até tinha gostado bastante. O que é dizer muito sobre um filme com quase 20 anos. Mas sem dúvida que preferi o livro. Gracias, Tons de Azul

Citações:

"[O sacerdote] Era partidário de vencer as fraquezas da alma com uma boa chicotada na carne. Era famoso pela sua oratória desenfreada. Os fiéis seguiam-no de paróquia em paróquia, suavam ouvindo-o descrever os tormentos dos pecadores no Inferno, as carnes estraçalhadas por engenhosas máquinas de tortura, os fogos eternos, os garfos que trespassavam os membros viris, os répteis asquerosos que se introduziam pelos orifícios femininos e outros suplícios que introduzia em cada sermão para espalhar o terror de Deus."

"Isso serve para tranquilizar a consciência, minha filha - explicava a Blanca - Mas não ajuda os pobres. Eles não necessitam de caridade mas sim de justiça."

"Se pôde ser ministro da educação sem ter terminado a escola, também pode ser ministro da Agricultura sem ter visto uma vaca inteira em toda a sua vida."

terça-feira, 12 de Agosto de 2014

NUNCA DIGAS NUNCA

Oren Little (Michael Douglas), um vendedor imobiliário viúvo, faz a vida negra a todos os que o rodeiam: vizinhos, colegas de trabalho, qualquer um que se lhe atravesse no caminho. É cínico, desagradável e excetuando a sua patroa de longa data, não é amigo de ninguém. Até a sua vizinha Leah (Diane Keaton) - uma cantora, igualmente viúva, que se destaca pelo seu feitio simpático e amigável (embora com tendência a também ser demasiado emocional) - se desespera com as suas respostas desabridas. Oren não se dá com o único filho, que em tempos foi viciado em heroína, quando este o aborda com um pedido: ele vai ser preso por 9 meses, comutados em 6 se tiver bom comportamento, mas precisa de alguém que lhe cuide da filha de 9 anos, cuja existência ele desconhecia. Ele rejeita a possibilidade, mas aí Leah promete ao pai da criança que ela própria velará para que a menina (Sterling Jerins) seja bem cuidada. Em pouco tempo, a criança habitua-se aos novos "avós"... Mas será que a romântica Leah consegue vergar o coração empedernido de Oren?

Uma comédia romântica sem grande chama, mas que mesmo assim se vê muito bem numa tarde de domingo meio enevoada...


5,5 em 10 foi a pontuação dada pela IMDb a este filme, realizado por Rob Reiner. Por mim, já vi muito pior, com pontuações bem mais altas. E a alguns ainda lhes dão o título de clássicos!