domingo, 14 de dezembro de 2014

UM CANUDO...

... que se limitou a ornamentar uma estante cá de casa nos últimos 30 anos, pode parecer uma grande fiasco. Não foi! Mesmo que nunca tenha exercido qualquer profissão vagamente relacionada com os estudos que efetuei ou ganho um tostão à sua custa, facto é que a sua missão foi única: ornamentar aquela estante!

Mas quando um homem (ou uma mulher) se põe a pensar, o dinheiro não é realmente o mais importante num emprego, mas sim a satisfação que a pessoa tem em realizar certo trabalho. Claro que o salário não deixa de ser importante para a pessoa manter uma vida digna - quando não éramos todos voluntários de qualquer coisa - mas há limites. Que variam consoante (a consciência) de cada um... Enganei-me? Acontece! Pior era ter ficado agarrada ao canudo e à profissão, em que mais que provavelmente não passaria da mediocridade, num pesadelo quase diário.

A ornamentar a cidade mais um graffiti urbano (2), suponho que da autoria de Vhils, que recentemente teve um programa da CNN dedicado ao seu trabalho artístico. Merecido! 

BOM DOMINGO!

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O JOGO DE RIPPER

Não li muitos livros de Isabel Allende: os dois autobiográficos, "A Casa dos Espíritos" e agora este, para o Clube de Leitura. Em contrapartida, as minhas companheiras habituais destas "tertúlias" leram quase tudo o que a escritora escreveu e costumam ser fãs.

Desta vez, Isabel Allende mimoseia os seus leitores com um enredo policial. Um género geralmente mal visto na literatura, como uma espécie de 2ª categoria - só um pouco melhor do que os livros de cordel. Teoricamente, até mais fácil de escrever, pois há sempre um crime, uma investigação e, por fim, um desenlace.

Mas mesmo antes de vos falar do enredo em si - o que vou fazer o mais sucintamente possível - posso afirmar que todas as participantes foram unânimes: ninguém gostou!

Nos dias que correm, não é de estranhar que uma jovem de 17 anos passe parte dos seus tempos livres agarrada ao computador e a um jogo online, com amigos virtuais (e o avô). E, se calhar, nem muito original que o fito do jogo seja descobrirem  os criminosos que perpetraram assassínios reais e atuais. Agora completamente inverosímil é que o pai da rapariga, o inspetor encarregue das investigações, lhe(s) passe todas as informações que possui, incluindo relatórios e autópsias. Quer dizer, nem na América, nem no país mais sarrabeco do terceiro mundo! 

Enfim, quando um policial parte de uma premissa estapafúrdia, não há muita volta a dar ao texto, por mais linda e vaporosa que seja Indiana, a terapeuta holística (?!?) mãe de Amanda, a jovem inteligentérrima que desvenda os casos rebuscados, quase sem levantar o rabo da cadeira... 

Citação:

"«Ninguém fica rico a trabalhar», respondeu-lhe, divertido, e deu-lhe uma aula sobre a distribuição da riqueza e de como as leis e as religiões se encarregavam de proteger os bens e privilégios dos que possuíam mais, em detrimento dos pobres, para concluir que o sistema era de uma injustiça descomunal, mas por sorte ele pertencia aos grupo dos afortunados."

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A próxima sessão ficou marcada para dia 8 de fevereiro, com o livro "Em Parte Incerta", de Gillian Flynn.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

FEZADA!

Tenho esperança que no próximo ano o 1º de dezembro volte a ser feriado. Como nunca devia deixar de ter sido.

Também suponho que não é preciso ser um grande génio para tal, basta uma (merecida) "defenestração" eleitoral... por muito que as más-língua digam o contrário!

Viva a Independência e a Restauração!

domingo, 30 de novembro de 2014

PROVA PROVADA...

... que tem chovido muito em Lisboa é esta colagem que retrata um tronco de árvore pejado de cogumelos. Desculpem-me os meus amigos, que se calhar estão fartos de ver imagens destas nos campos - numa rua movimentada de Lisboa não é usual. Daí não ter resistido a fotografá-la para a posteridade...



sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A VER NAVIOS?

Não exatamente. Mais de volta ao velho vício televisivo, em que se "papa" quase tudo o que passa no pequeno ecrã. Vício que vem desde criança, só interrompido no tempo do PREC - havia lá pachorra para tanta mesa redonda de gente exaltada, para ficar tudo na mesma? - retomado com "Gabriela" e, felizmente, nos últimos anos só resumido ao quase essencial. Um filme de vez em quando, uma série melhorzinha, alguns programas de informação (não, não são os telejornais), os Oscars de Hollywood e uma coisa ou outra visionada num momento de tédio.  

Enfim, a recaída explica-se pelo tempo que não convida a passeios, o consequente menor número de fotografias tiradas, a escuridão que se abate na casa logo de manhã como se estivesse a chegar o anoitecer e a monotononia acumulada de tantos meses de imobilização - não exatamente forçada, que já ando relativamente bem, mas a chuva e o frio lá fora estão bons para apanhar gripes e constipações, que nunca convêm nada a ninguém, mas quando as imunidades estão em baixo ainda menos... E pronto, andar de trás para a frente no corredor, só porque sim, deve ser bom para tigres enjaulados, mas dá cabo da minha sanidade mental!

Pior é que a televisão também me irrita: as telenovelas, as séries e outros programas são anunciados com a devida antecipação, pompa e circunstância, mas a maior parte das vezes não há nem um avisozinho do seu final (novelas da SIC à parte, que ficam o último mês a ser exibidas com uma legenda de "últimos capítulos", o que também é um exagero). Assim, está uma pessoa toda feita para ver um novo episódio de "Mr. Selfridge" ou de "A Teoria do Big Bang" - ambas do bom e do melhor que se faz em TV, no meu entender - e... népias, lá vem outro programa qualquer. Não se faz!

Contudo, o esforço de abandonar o velho vício tem sido uma constante, aos poucos conto chegar lá - tenho lido mais, ouvido música e até já faço uns sudokus ou palavras cruzadas. Mas a escrita, essa, tem sido bastante desleixada, tanto aqui como em comentários aos vossos posts. Para não dizer praticamente inexistente. Como consolo só a experiência de uma amiga, que após 3 meses de repouso em casa determinado pelo médico, alontrada frente ao ecrã como eu, viu o vício evaporar-se assim que teve alta. Estou a torcer para que me aconteça o mesmo. E para que o tempo melhore um bocadinho...

BOM FIM DE SEMANA!

terça-feira, 4 de novembro de 2014

MÃE

Pearl S. Buck não precisa de apresentações: não só recebeu o Nobel da Literatura em 1938, como a sua vasta obra foca primordialmente a cultura chinesa, onde viveu grande parte da infância e início da idade adulta, até a revolução chinesa a ter obrigado a abandonar aquelas paragens. Mas não é a cultura chinesa de salão, mas mais de um povo camponês a lutar pela sobrevivência ou de classe média, ainda a enfrentar costumes feudais - para já não falar nos senhores da guerra.

Neste pequeno (grande) livro de apenas 191 páginas damos conta da luta de uma mãe que, com três filhos pequenos se vê abandonada pelo marido, homem dado à jogatina e pouco amigo de trabalhar. E do sofrimento que esconde de todos, dizendo que ele foi trabalhar para longe, chegando a mandar escrever cartas para ela própria para disfarçar o embuste. Com a ajuda do filho mais velho consegue trabalhar nos campos e pôr comida na mesa para toda a família e ainda amealhar algumas moedas. Infelizmente a sogra está velha e é de pouca serventia e a filha tem um mal nos olhos que vai agravando até fica cega, pelo que o futuro não augura nada de bom à menina. O filho mais novo, o seu predileto, tem um feitio bem disposto e risonho, mas infelizmente sai ao pai e é pouco amigo de trabalhar.

É a luta diária desta mulher que vamos seguindo com aquela interrogação de "será possível que algum dia tenha sido assim?" Para chegarmos à triste conclusão que foi e em alguns casos muito pior para as mulheres pobres do povo chinês do início do século passado. E que, provavelmente, por esse mundo fora ainda hoje existem mulheres que trabalham como escravas injustiçadas todos os dias.

Last but not least, na adolescência li uma série de livros de Pearl S. Buck, que a mãe de uma amiga me fez o favor de emprestar. Tantos anos volvidos não me lembro dos títulos da maioria deles, nem sei se li este na altura. Mas se gostei de a ler aos 15 e de a reler aos 55, parece-me muito bom sinal para a escritora: é que a sua escrita se mantém atual e interessante para leitores de várias faixas etárias, apesar do livro ter sido escrito em 1933, portanto há mais de 80 anos.... Quantos escritores se podem gabar disso?

Citações:

"Depois encheu-se de inquietação e pessimismo e pensava que, se a criança era uma alegria, também era uma nova fonte de preocupações, como são todas as crianças, e que podia nascer morta ou deformada, idiota ou cega, ou uma rapariga, ou qualquer coisa parecida."

"Mas havia muita gente à espera, porque tinha corrido pelos campos a notícia de que ia haver esta grande decapitação, e muitos vinham ver o espetáculo e traziam os filhos.[...] A multidão estava silenciosa, as pessoas esperando avidamente, sentindo um estranho prazer e, ao mesmo tempo, detestando o horror que ansiavam ver."

domingo, 26 de outubro de 2014

UM CHEIRINHO A MARESIA...

... e uns raiozinhos de Sol fazem maravilhas pela boa disposição de qualquer um! Alguém se atreve a desdizer-me?!?


APROVEITEM!
(se for o caso)

terça-feira, 14 de outubro de 2014

GRAFFITIS URBANOS - 1

A falta de concentração, a preguiça, as temáticas pouco interessantes que se encontram dentro de 4 paredes - só saio de casa para ir ao hospital, mas a invernia também não teria convidado a grandes passeios - têm tornado as minhas postagens muito esporádicas. Daí ter-me lembrado de mostrar algumas fotos tiradas este verão, que evidenciam como o graffiti urbano pode ser uma mais valia artística para as cidades, em geral, e Lisboa, em particular. Para quê fachadas de casas em ruínas, muros velhos e pardacentos, superfícies que não têm uma qualificação possível, com tantos e bons artistas dispostos a trabalhar para ajudarem a embelezar esses espaços?

Enfim, a coleção ainda é pequena, mas espero que quando a acabar de a publicar já possa dar umas voltinhas para tirar mais umas quantas fotografias.

E já agora, alguém sabe onde fica o graffiti da foto? Ah, parece que também já existe um catálogo dos principais graffitis existentes na cidade, mas esse ainda não o vi...

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

PRIMEIRO AS SENHORAS

Tenho lido muito pouco, quase nada, para ser sincera. Mas estas 110 páginas de Mário Zambujal leem-se muito bem. Trata-se de um monólogo ou, melhor dizendo, de um depoimento minucioso de Edgar ao inspector da polícia judiciária sobre o alegado rapto de que terá sido vítima. Edgar, um bom malandro tuga com ademanes de um D. Juan a dar para o pindérico tem, em contrapartida, uma enorme verborreia e entre mentiras, verdades e meias verdades vamos percebendo o que realmente se passou...

OK, sou suspeita ao recomendar este livro: além de admiradora do autor, também sou adepta de histórias divertidas e bem dispostas. E pelo preço... pode-se pedir mais?!?