quarta-feira, 27 de maio de 2015

CASTELO COM VISTA SOBRE A CIDADE...

... e cidade com vista sobre o castelo. Mas para ver as vistas, nada melhor que uma esplanadinha à beira-rio plantada. Ou não, que esplanadas não faltam por Lisboa. As sugestões não são minhas, nem tão pouco são exaustivas - só assim a priori, lembro-me de mais uns quantos quiosques espalhados pela cidade. Mesmo assim, para os lisboetas ou para os turistas e visitantes, aqui fica uma listinha de 50 aprazíveis esplanadas. Nas quais convém sempre verificar primeiro os preços da ementa, que alguns são upa upa.

A partir de amanhã e até dia 14 de junho, há que acrescentar mais umas quantas no parque Eduardo VII, como apoio à 85ª Feira do Livro de Lisboa. Churros e ginjinha já começam a ser uma tradição da feira, que nem só de literatura vive o homem (e a mulher)...

segunda-feira, 25 de maio de 2015

EUROFESTIVAL 2015

No sábado, calhou ver o Festival da Canção da Eurovisão deste ano, vulgo Eurofestival. Coisa que já não acontecia à bué ou então só assim a dar uma espreitadela, enquanto estava a fazer outras coisas. Desta vez, vi à séria: jantar em casa da minha irmã, com grande parte da família presente. E todos a darem palpites sobre tudo: canção, fatiotas, cenários (um must, que no geral foi do que todos gostaram mais - estavam 5 estrelas!) e o que mais surgiu no ecrã suscetível de motivar comentário, risadinha ou até, pasme-se, indignação.

Como já todos saberão, a canção sueca foi a vencedora. E também uma das que suscitou um dos cenários mais espetaculares e animados. Em todos os sentidos. A canção intitula-se "Heroes", foi interpretada por Mans Zelmerlow e não se pode dizer que não tem uma batidinha festivaleira. Às tantas estávamos (quase) todos a torcer para que ganhasse, quando a Rússia parecia prestes a levar o troféu de lambuja - com tantos vizinhos, ex-conterrâneos e tantos países interessados em "negociar" com eles, não houve gato sapato que não votasse na canção. Que no entender da maioria da famelga era um prémio que Putin não merecia, até porque a música era um bocado desenxabida, bem como a cantora (muito loura, muito branca, vestida de branco):

A minha irmã e a minha mãe teciam comentários acerca da injustiça e dos interesses políticos que as votações escamoteiam. Então quando uma júri teve o topete de dizer que a pontuação máxima ia para os seus queridos vizinhos do lado, a indignação foi ao rubro: "ainda têm a lata de o dizer!" E que a nossa canção era muito melhor do que muitas que lá estavam, ao contrário do que tem acontecido nos últimos anos, blablablá. De facto agradou a (quase) todos. Um dos mais jovens insistia que era o problema de ser cantada na língua lusa, ao contrário da maioria cantada em inglês, mas os mais velhos insistiram que assim é que devia ser. A bem dizer, concordo que sim, mas torna impossível ganhar, né? 

Outra que também cantava na sua língua materna foi a espanhola, que entrou vestida de vermelho e saiu vestida daquele branco prateado. Uma das mais bem vestidas, no entender da geral. "Amanecer" intitulava-se a canção interpretada por Edurne.

A canção do Reino Unido era bastante alegre, mas ninguém entendeu as fatiotas estranhas que o dueto usava. Até que de repente começaram a reluzir... como se fossem o néon ali da discoteca da esquina. Duvido que tenham conseguido o efeito pretendido. "Very odd!", para o caso de algum deles passar por aqui, eheheh!

Mas voltando à nossa representante, Leonor Andrade, e a "Há um mar que nos separa", realmente não desgostei da música e da letra. Claro que, como vaticinado, não teve lugar nesta final. Do que não gostei minimamente foi da sua indumentária - é uma rapariga nova, porque é que tem de ir vestida de preto? Toda a gente sabe que assim não se compromete, mas caraças, já enjoa tanto luto. Meio gótica e a dar para a bruxa nas horas vagas, com aquela capa esvoaçante...

Mas não era a única, que isto do preto e do "não me comprometo" não deve ser só nosso, a representante da Albânia também levava um modelito negro, que era um pouco semelhante ao da russa, só que esta tinha mais peitaça que a camarada, que era praticamente desprovida desses atributos. Comentários masculinos, está bom de ver, mas contra factos tão visíveis não houve argumentos para rebater!

Ah, e esta também ia um mimo, com aquela penugem toda negra devia estar a imitar algum urubu. Pasma que estava, nem registei a terreola de onde vinha.

Assim mais colorida, ia esta representante da Lituânia. Pouco ao gosto tuga, desconfio, mas dou-vos oportunidade de discordarem. 

Outro vestido que me pareceu bastante original foi este: não sei se foi feito para tentar disfarçar a gordura da representante Sérvia, ou se para a fazer sobressair. O que é que acham?

De vermelho, num vestido sui generis que deixava antever aquilo que se imaginam ser tatuagens, apresentou-se a candidata da Letónia. 

E agora, caso fossem a uma festa deste gabarito, que vestido escolheriam? Vá, vá, toca a decidir... [apareceram outros vestidos melhores (e piores?), obviamente, mas estes foram os que consegui catar na net]

Há muito tempo que não me divertia tanto com um Eurofestival da Canção!

Imagens da net, já que não fui convidada para assistir in loco...

quarta-feira, 20 de maio de 2015

CRIME NUM QUARTO FECHADO

O norueguês Hans Olav Lahlum era, até ao momento de encontrar este livro à venda numa livraria, um ilustre desconhecido. E o que me chamou a atenção foi o pacotinho de chá que o acompanhava. Policial tipo Agatha Christie ou Rex Stout? É que é já a seguir...

De facto, a grande mestre dos enredos policiais chega a ser mencionada mais do que uma vez, bem como Sir Arthur Conan Doyle - isto de crimes em quartos fechados já foi chão que deu uvas, porque explicações já foram arranjadas várias. Certo é que o inspetor Kolbjorn Kristiansen depressa chega à conclusão que o criminoso só podia ter sido alguém que vivia no mesmo edifício. A novidade é que ele é ainda um novato bastante ambicioso e conta, para a resolução do crime, com uma ajuda preciosa: Patrícia Borchmann, uma jovem confinada a uma cadeira de rodas que é fã da literatura policial e possui um raciocínio lógico bem apurado. A parte chata da coisa é que o inspetor ao pé da rapariga parece um bocado "atado". Ela própria comenta com as suas empregadas que desconfia que ele não deve muito à inteligência...

A ação destas 356 páginas decorre em 1968, em Oslo, com uns flashbacks para a II Guerra Mundial. Sendo o autor também historiador, alerta para o facto que alguns personagens são verídicos e sobejamente conhecidos da história contemporânea, mas tal não acontece com nenhum dos personagens principais. 

Gostei, apesar de não ser particularmente inovador! (embora tenha as minhas dúvidas sobre como um detetive inspetor poderia confiar pormenores da investigação a uma pessoa que não pertencia às forças policiais norueguesas)

segunda-feira, 18 de maio de 2015

AS JANELAS DOS "MENINOS"...

Quem ainda se lembra do passatempo "Janelas para o mundo", que promovi o mês passado? Podem descansar, que não se trata de idêntico "peditório". Mas para quem quiser ver todas as janelinhas participantes, com a respetiva identificação do local, a Maria do cantinho da casa deu-se ao trabalho de fazer uma belíssima composição.

Espreitem aqui. Um mimo!

domingo, 17 de maio de 2015

VAMOS AO MERGULHO?

Hummm... que indecisão! Mas enquanto se decidem (ou não), tenham um...

MARAVILHOSO FIM DE SEMANA!

Imagem de Ronald West, do facebook.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

ASSASSINATOS NA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS

Decorre o ano de 1924 e um lugar na Academia Brasileira de Letras é a honra mais almejada por todos os escritores brasileiros, quer tenham obra conceituada e significativa, quer, enfim, se tenham limitado a escrever um opúsculo enfadonho. Mas - sabe-se lá por "herança" de quem? - o estatuto e a cunha têm alguma influência na escolha do "imortal" (assim se intitulam os membros de tão nobre academia) que ocupará o lugar vago, quando um dos 40 "eleitos" morre.

Ora o senador Belizário Bezerra, que escreveu precisamente o livro "Assassinatos na Academia Brasileira de Letras", é o mais recente confrade desse Olimpo literário. Porém, morre subitamente quando inicia o discurso da sua tomada de posse. Durante o seu funeral, quando o causídico Aloysio Varejeira se prepara para lhe fazer o panegírico, a cena repete-se... e este tomba morto em cima do caixão.

O comissário Machado Machado não acredita em coincidências e propõe-se investigar o caso com alguma discrição, dada a notoriedade dos envolvidos. A investigação manter-se-ia em segredo, não fosse dar-se o caso do chefe da polícia, o general Floresta, estar sedento de protagonismo e dar uma conferência de imprensa dando conta das suspeitas aos jornalistas cariocas.

189 páginas que se leem de uma penada, onde Jô Soares "combina erudição, suspense e comédia de costumes com uma minuciosa investigação histórica" que recupera o espírito do Rio de Janeiro da época, misturando ficção e realidade. Cinco estrelas, como tudo o que o grande faz!
    

segunda-feira, 11 de maio de 2015

WPP 2015

Temo que não seja novidade para ninguém onde tenciono passear este mês, neste fim de semana visitei a World Press Photo. Que vale sempre a pena, recordando muito do que se passou pelo mundo no ano passado, mas não sendo recomendável a pessoas demasiado sensíveis. Nem sei porque levam criancinhas a ver isto, por mim fartei-me de ouvir uma, com cerca de 2/3 anos de idade, a pedinchar à mãe insistentemente: "vamos para caxa"! Essa era demasiado pequena para perceber o alcance de algumas fotografias, outras nem por isso... 

Uma das fotos que considerei mais caricata é aquela das "ovelhas" (na colagem: em cima, à direita), que foram colocadas em frente a fábricas na China, para dar um ar mais bucólico à paisagem. São estátuas, evidentemente, porque é duvidoso que um rebanho verdadeiro aguentasse tal poluição.

Para rematar o sábado em beleza, fomos jantar com uns amigos e pôr a converseta em dia. O que me fez lembrar este anúncio, por várias razões:


Há publicidades fantásticas, não há?!?

quinta-feira, 7 de maio de 2015

MASSA A MAIS...

... é no que dá!

Em Washington, uma florista septuagenária recusou-se a vender flores para o casamento de uns clientes gay, alegando ser contra a sua religião. Nem vou perorar sobre o que aconteceria se na loja de roupas, no restaurante, na ourivesaria, etc. e tal, todos tivessem recusado prestar serviços ao casal homossexual - ou seja, a lei permite este tipo casamento, mas se os negociantes dissessem que não, lá se ia o casório prás urtigas...

Mas nem é isso que me faz mais confusão. E se também for contra a sua religião vender flores a casais de outras religiões ou de outras raças, por exemplo? Aquilo é States, e com a justiça ninguém brinca em serviço, de modo que a mulher foi processada pelo procurador-geral e pelo casal. E é aí que surge a "brilhante" ideia de apoiar a "coitadinha", que à conta das custas do processo pode ficar sem negócio e sem casa e mais não sei o quê, tendo já conseguido angariar mais de 100 mil dólares de vários doadores.

Desculpem lá: se por acaso tivessem um dinheirinho a mais na carteira, que vos permitisse fazer doações que ajudassem outras pessoas ou animais, iam oferecê-lo à florista que não quis vender as flores ao casal gay?!? Com tanta gente pobre, doente, carenciada e crianças e animais ao abandono? Pois, até parece "pecado"!


quarta-feira, 6 de maio de 2015

O COMPLEXO DE PORTNOY

"Chatérrimo, na linguagem das debutantes, é sinónimo de desagradável", escreve Philip Roth numa das 266 páginas deste livro. Sem ser debutante, não caracterizaria este livro de forma mais sucinta: chatérrimo!

Aliás, com tão poucas páginas a leitura arrastou-se por vários dias, pois adormeci várias vezes a lê-lo. Estive até para desistir: a história de vida de um jovem judeu chamado Alexander Portnoy, da sua infância durante a II Grande Guerra numa rígida família judia nos EUA, cuja mãe o ameaçava com uma faca para comer e cujo pai o punha fora de casa para o obrigar a pedir desculpa por qualquer asneirola de criança, não é de molde a seduzir ninguém por aí além; o facto de a partir da adolescência só pensar em masturbar-se compulsivamente, servindo-se de tudo o que estivesse mais à mão, desde a luva de softball até ao fígado do jantar, também não; e o monólogo não sai mais enriquecido na idade adulta e nas experiências sexuais de Alex, tudo contado com pormenores ao seu psiquiatra. 

O emprego constante de palavras judaicas, o sem número de personagens americanas que menciona de passagem, mas que atualmente são ilustres desconhecidos da rádio, da política, do desporto e sei lá de mais onde, a linguagem crua que emprega, pejada de palavrões, enfim, nada me cativou minimamente. Isto num livro que a crítica aplaudiu como hilariante. Suponho que na época em que foi escrito - 1969 - em que se calhar foi muito inovador. 

Dito isto, obviamente há quem tenha gostado, como foi o caso do Manuel Cardoso. Por mim... passo estas leituras e Roth não pretendo voltar a ler!