sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

TRADIÇÕES VALENCIANAS

Se há tradição tipicamente espanhola, a hora da siesta é uma delas. O comércio de Valência segue-a à risca, portanto se vai para compras tenha atenção que as lojas estão quase todas fechadas entre a uma e as quatro da tarde - exceção seja feita a centros comerciais, à maioria dos restaurantes e cafés e ao mercado  central, que merece uma visitinha (entre as 7 da manhã e as 3 da tarde):

Os azulejos exteriores, os vitrais, as inesperadas cúpulas, a par da exposição dos diversos produtos tornam este mercado bastante diferente dos nossos.

Nesta zona antiga da cidade podemos encontrar bastantes igrejas, palacetes e grandes edifícios, nem todos vocacionados para cultos religiosos, mas também para funcionamento de repartições oficiais ou organismos autárquicos, bancos, etc. 

A Bolsa da Seda deve ser dos mais visitados, até pelo preço simbólico das entradas: 2 euros. Não é que tenha muito para ver, um jardim com laranjeiras e um lago em forma de estrela, uns claustros e uns vitrais, um vídeo sobre a arquitetura do local e pouco mais.

Já a catedral, cuja entrada custa 6 euros, vale bem a pena, pelo menos para quem aprecia visitar igrejas...  

Diz que tem uma vista sobre a cidade fabulosa, para quem se dispuser a subir os 207 degraus que levam ao seu topo, mas não posso garantir, que nós passámos!

É também nesta zona antiga da cidade que os espanhóis comemoram a festa mais tradicional de Valência, las fallas (lê-se falhas), no dia de S. José, a 19 de Março. Segundo aqueles que já assistiram a estas festas, é assim uma espécie de Carnaval, com queima de bonecos simbólicos e atraem milhares de turistas, de toda a Espanha como de todos os lados. 

A gastronomia espanhola é sobejamente conhecida e elogiada no mundo inteiro, mas, talvez devido aos 18 mil maratonistas e respectivos familiares e amigos que "invadiram" a cidade neste fim de semana, tivemos alguma dificuldade em encontrar restaurantes de jeito: uma excelente pizza num italiano e este delicioso gelado (na plaza de la Reina, mesmo à saída da catedral abundam as gelatarias) foi o melhor que comi. Já a horchata, a bebida típica de Valência - à base de água, açúcar e um tubérculo local - é uma zurrapa que não aconselho a ninguém!

Ainda na plaza de la Reina aproveitámos para alugar uma charrete para dar um passeio por esta zona da cidade (e não só), de ruas estreitas e pouco ensolaradas, onde proliferam os graffitis, mas também o repenicar dos sinos nas horas, as bicas que certamente noutros tempos matavam a sede aos valencianos, candeeiros de todas as formas e feitios e as lojas de recuerdos.

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Os 40 euros por 45 minutos de passeio de charrete valeram bem a pena e ainda deu para descansar um pouco as pernas das caminhadas mais ou menos longas. Isto porque a rede de transportes públicos não é cara (pelo menos se comprarmos o passe de 3 dias, que custou menos de 12 euros para metro e autocarro, sendo que 2 eram do cartão recarregável), mas o metro não fica muito perto das zonas turísticas da cidade e não conhecíamos bem os percursos das diferentes carreiras de autocarros.

Mesmo assim, não deixámos de dar uma saltadinha à praia, mas naquele fim de tarde a temperatura estava a descer a pique, bem como o céu a enevoar, de modo que nos ficámos pelas vistas, não pusemos o pé no areal.

Se não tirámos uma foto do cimo da catedral, não nos esquecemos de captar uma da vista do hotel, que sempre dá uma ideia sobre a cidade.

Last but not least, o dia da maratona foi uma autêntica festa na cidade, com a música a tocar por toda a parte desde manhã cedo, os valencianos todos na rua a apoiar os atletas - mascarados, a aplaudir e incentivar alegremente, os transportes parados nas zonas do percurso, em suma, uma grande confusão. E eu, que detesto e fujo de multidões, até achei piada àquela alegria tão genuína e contagiante...


TENHAM UM EXCELENTE FIM DE SEMANA!

terça-feira, 29 de novembro de 2016

10 ANOS DEPOIS...

Para quem seja atento aos pormenores,o primeiro post deste blogue foi publicado precisamente há 10 anos. Embora, verdade seja dita, só cerca de seis meses depois fiz desta casa o meu poiso habitual, após uma malograda incursão noutros círculos blogosféricos. E desde aí não abandonei, apesar de atualmente estar bastante menos "escrevinhadeira". 

Curioso é que amigos desses primórdios são poucos os que ainda estão no ativo: o Rafeiro Perfumado, a Tons de azul e a Ematejoca são as honrosas exceções à regra. Mas outros vieram, enquanto alguns partiram, que a blogosfera é como a vida, sempre composta de mudança. 

Contudo, é a todos, do mais antigo ao mais recente bloguista, que tenho de agradecer a amizade e o carinho que têm vindo a demonstrar ao longo de todos estes anos pelo meu cantinho e por mim, numa troca de ideias e de opiniões constante, que é o torna a blogosfera um espaço tão interessante - sem esta interatividade e aprendizagem, qual era a graça?

Ao comemorar a década não queria deixar de fazer este agradecimento, porque é graças a TODOS vós que o Quiproquó ainda se mantém em "cartaz".

OBRIGADA E BEM HAJAM!

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

VALÊNCIA, CIDADE MODERNA

Se tivesse de explicar em meia dúzia de linhas as minhas impressões sobre Valência, diria o seguinte: uma cidade onde igrejas e monumentos seculares convivem com edifícios e estruturas bastante mais modernas, atravessada por um imenso jardim que já foi rio, "desaguando" em praias mediterrânicas de clima ameno durante todo o ano. A luminosidade que paira no ar, o arvoredo a perder de vista, a grandiosidade dos palácios, tudo contribui para tornar Valência numa cidade muito interessante, que merece ser visitada.

Antigamente o rio Túria atravessava toda a cidade mas, em 1957, as suas águas inundaram Valência, provocando dezenas de mortos, o que determinou a decisão de desviar o curso do rio, de modo a prevenir futuras catástrofes. O espaço foi desde então convertido numa zona lúdico-cultural, onde se conjugam jardins, campos e equipamentos desportivos, salas de exposições e auditórios, bem como as antigas pontes que ligavam as duas margens. Os denominados jardins do Túria terminam sensivelmente na zona mais moderna da cidade, a Cidade das Artes e das Ciências.

O complexo de edifícios que constituem esta "Cidade" foi desenhado pelos arquitetos Santiago Calatrava e Félix Candela e incluem Ópera, salas de cinema, o museu das Ciências, o Oceanário e um pavilhão denominado Agora, onde já decorreram alguns eventos de ténis. A maratona de 2016 começou e acabou na zona exterior do museu das Ciências.

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Muito mais haveria a mostrar sobre esta zona mais moderna da cidade, caso tivesse fotografado exaustivamente cada um destes autênticos monumentos, o que desta vez não foi o caso. Muita gente -só neste dia vi 3 casórios no local - e um plano que, tendo agendados alguns compromissos, não deu azo a visitas mais demoradas.

Sobre Valência, cidade histórica e tradicional, a par de algumas outras curiosidades, escreverei numa próxima oportunidade. Mas que valeu muito a pena, lá isso...

BOM FIM DE SEMANA!

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

REALIZAR UM SONHO...

O sonho era do maridão e já contava alguns anos: correr uma maratona! Inicialmente, a corrida surgiu mais ou menos como escape e pela necessidade de fazer algum exercício, já que as modalidades anteriormente praticadas tinham horários quase incompatíveis com  os de trabalho. Dizem os entendidos, que os desportistas precisam de exercício para melhorar o seu estado de espírito. Acredito que tenham razão, se bem que como não-desportista me limite a reproduzir o que oiço  por aí...

Mas voltando ao sonho já antigo, por muitas e variadas razões ele foi sendo adiado. Até que há coisa de um ano e tal o maridão resolveu inscrever-se num grupo desportivo: além de treinos mais programados, existe toda uma equipa que acompanha eventuais problemas de lesões, da massagem à fisioterapia, passando até por exames médicos e nutricionismo. Para lá do grupo de outros maduros (e maduras!) que treina afincadamente e com perseverança, com a mesma finalidade. Foi sem dúvida um grande incentivo.

Assim, talvez há uns 6 meses, o maridão avisou-me que estava a ponderar realizar a sua primeira maratona no dia 20 de Novembro, em Valência. Se queria ir com ele? Não, não estava particularmente interessada, se ele ia correr, o que é que eu fazia? Vai daí, o filhote meteu-se ao barulho: "Disparate, não conheces Valência, vais conhecer. Se quiserem vou com vocês." Claro que aí o caso mudou de figura e decidimos ir os três. Não me arrependi!

Bom, sobre Valência escreverei outro dia - e até há bastante para escrevinhar (vou ter de usar o meu parco poder de síntese) - porque hoje só quero referir o orgulho que senti com a realização do sonho do maridão. Ele acabou a prova em 3 horas e 56 minutos, o que não é nada mau para um novato de 61 anos (ficou mais ou menos a meio do seu escalão). Mas mesmo que não tivesse acabado, sentia esse mesmo orgulho. dada a força de vontade e persistência dos cerca de 4 de meses de treino intensivo, independentemente das circunstâncias atmosféricas ou outras. Há alguma coisa mais importante na vida do que tentar realizar os nossos sonhos?

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

PASSEIO DE OUTONO

O outono é uma estação tão boa como outra qualquer para passear. E é isso mesmo que vou fazer por estes dias, portanto escusam de ficar condoídos ou a imaginar doenças estranhas. No regresso contarei  todas as novidades dignas de nota...

Até lá,fiquem com Eric Clapton:


E FIQUEM BEM, CLARO!

domingo, 13 de novembro de 2016

O MAGUSTO QUASE IMPOSSÍVEL

Depois de uma semana absolutamente estranha - a inesperada eleição presidencial de Trump,  a entrega às autoridades de Pedro Dias (depois de 28 dias a "monte" entre Arouca e Aguiar da Beira) e a morte de Leonard Cohen (de quem nunca fui especialmente fã, mas alguns amigos chegados eram e ficaram tristíssimos - o facebook encheu-se de lugares comuns e R.I.Ps. sobre os 3 casos. Não há paciência para esta carneirada...

Mas a algumas conclusões também cheguei: o mundo tornou-se um lugar ainda mais perigoso; apesar das incongruências do suspeito agora preso, a história da morte dos GNR ainda está mal explicada; por muito que custe, os ídolos da música também morrem, vale que a sua obra fica!

Foi com este espírito um pouco triste e irritado, que sexta-feira resolvemos festejar o magusto, com umas castanhinhas e uma jeropiga. Qual não foi o nosso espanto quando andámos seca e meca para encontrar a garrafa de jeropiga - os supermercados de bairro e do "povo" aqui da zona, em cujas prateleiras não faltam garrafas de Moet et Chandon ou de whiskys velhos carrérrimos, não tinham nem uma garrafinha da popular jeropiga para amostra. Onde encontrei? Numa garrafeira do comércio tradicional. E a essa hei de voltar, pois tem um serviço que os ditos supermercados não têm  - aconselhamento pessoal sobre os produtos comercializados.

BOM DOMINGO e BOA SEMANA!
(pelo menos, com menos"irritações"...)

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O HOMEM QUE MATOU GETÚLIO VARGAS

Como certamente muitos saberão, Getúlio Vargas suicidou-se a 24 de Agosto de 1954, pelo que esta prosa da lavra do sempre inspiradíssimo Jô Soares é meramente ficcional. Num enredo surrealista, onde se cruzam algumas das grandes personagens do século XX, tal como Mata Hari ou Madame Curie, Al Capone ou Franklin Delano Roosevelt.

Mas não se pense que elas são as protagonistas destas 250 páginas, cabendo tal papel ao anónimo Dimitri Borja Korozec, cuja vida seguimos desde a tenra infância até aos seus pouco maduros 57 anos - com alguns interregnos pelo meio, é certo. Filho de um anarquista sérvio e de uma artista de circo brasileira (irmã bastarda de Getúlio Vargas), cedo o rapaz segue o exemplo paterno e ingressa numa escola de assassinos jugoslava. Aí ensinam-lhe a manejar armas, bem como estratégia e tática, o que é imprescindível para alguém que está decidido a livrar o mundo de todos os tiranos. 

Infelizmente, nem tudo ocorre conforme os planos de Dimitri e outros assassinos adiantam-se aos seus esquemas tão minuciosamente engendrados. Estranhamente, sem dar pelo facto, também ele tem um assassino na sua cola, o anão Motilah Bakash, o último sobrevivente de uma seita cigana asiática. Para grande sorte do anarquista, o anão é um pouco precipitado nas suas investidas...

Muito bom. para os que apreciam o non-sense bem-humorado do !

Citações: 

"- Não percebes?! - retrucou, furioso, Bouchedefeu. - Este conforto higiénico leva à ociosidade e à decadência. Para mim, o bidé foi o grande responsável pela Revolução Francesa, e, depois, pelo declínio dessa mesma revolução. O próprio Marat morreu apunhalado no bidé."

"Certamente não a quero como cúmplice e entendo que a sua formação religiosa condene a violência, entretanto gostaria de fazê-la entender que a minha vida é dedicada à destruição da tirania, custe o que custar."

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

PAREDES QUE "CANTAM"...

Passo naquele largo frequentemente, mas nunca nada me tinha chamado a atenção: um entre tantos do género no país. Desta vez foi diferente... e saí para fotografar:

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Andava nestas andanças fotográficas, quando uma vizinha me avisou: "há outra lá em cima, que não se vê daqui. É o Zeca Afonso e para mim a melhor de todas."

E lá fui bairro acima, à procura da imagem que me faltava na coleção. Mas valeu a pena!

Bem sei que há quem não goste de graffitis - se bem que tenha alguma dificuldade em chamar graffiti a estes  retratos - mas pessoalmente considero que embelezam em muito as ruas das nossas cidades. Como estes, no humilde bairro da Venda Nova, Amadora.

Obrigada,

BOM FIM DE SEMANA PARA TODOS!

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A MÃE BIOLÓGICA DE MARILYN

Em exibição no teatro Armando Cortez até ao próximo dia 20 de Novembro, o programa desta peça reza o seguinte: 
"Marilyn Monroe chega uma noite a Gainsville, na Flórida, à casa onde a sua mãe biológica, Gladys Baker, uma mulher mentalmente enferma, vive na companhia de uma cuidadora, a jovem Lydia Martinez.
Estamos no Verão de 1962, pouco antes da morte da diva do cinema.
O jogo das identidades entre estas três mulheres deflagra diante de nós e descobrimo-nos a testemunhar um evento cénico que nos seduz num crescendo emocionante de enigmas que aguardam resolução.
E se a morte de Marilyn estivesse relacionada com o assassinato do Presidente John Kennedy?
E se a mãe de Marilyn Monroe não fosse a verdadeira mãe da diva do cinema?
E se o que você estivesse a ver não fosse exatamente o que parece ser...?"

Curiosos? Então calcem as vossas tamanquinhas e rumem ao teatro, que é sempre uma excelente sugestão para assistir a um espetáculo diferente - no caso, de 5ª a Sábado, às 21h30m, ou ao Domingo, às 18h. Vão ver que não se arrependem...

Paulo Sousa Costa encena a peça escrita por Armando Nascimento Rosa e interpretada por Maria Emília Correia, Núria Madruga e Sara Salgado.

Imagem da net.